Minhas caras e meus caros…
Muitos anos se passaram desde a minha saída do Ensino Médio. Era 2003. Naquele período, a maioria dos jovens pensava em trabalhar ou juntar alguma quantia em dinheiro para fazer um curso técnico; a minoria escolhia o caminho mais difícil: cursar uma faculdade. Foi esse o caminho que escolhi — entre arroubos de ansiedade e desesperanças.
No período de sete anos que compreendeu a minha saída do Colégio Yeda Barradas Carneiro, em Conceição do Coité, até a matrícula no curso de Relações Públicas da Universidade do Estado da Bahia, em Salvador, pude analisar o quanto os meus professores foram valorosos. Não se trata de uma retórica homenagem ou de uma memória edulcorada.
Em muitas outras oportunidades, pude agradecer aos professores pela perseverança. Um aluno pode ser nada mais do que uma folha seca, voando ao sabor do vento — desligado do mundo e da realidade que o cerca, preocupado apenas com as suas platitudes de adolescente. Porém, um aluno que tem como âncora um(a) professor(a) de respeito — e assim o(a) enxerga e obedece às suas diretrizes —, ah, esse aluno vai longe!
As respostas da minha mãe às poucas reclamações que recebeu sobre o meu comportamento na escola foram sempre de concordância com os professores e as professoras. Não eram eles que precisavam mudar. Não eram eles que precisavam se corrigir. Era eu. Sendo um aluno da antiga terceira série do Ensino Fundamental que ainda não sabia ler plenamente, avesso à matemática e indolente para fazer as atividades de casa, como posso ter me tornado um aluno espetacular ao final desse mesmo Ensino Fundamental? A quem devo creditar a melhora no desempenho?
No último ano do Ensino Fundamental, com acesso integral à biblioteca do Colégio Hamilton Rios de Araújo, em São João, li 21 livros. Devo ter lido boa parte deles em empréstimos de cinco dias, com renovação de mais três. A Cabana do Pai Tomás, Dom Casmurro, Poliana, Menino de Engenho e tantas outras obras estavam à disposição dos alunos. Porém, nem todos liam. O fato de eu me interessar por leitura era incentivo — incentivo de professoras espetaculares, sobretudo das professoras de literatura. A elas credito um papel primordial em minha vida.
Devo, entretanto, a minha obra literária ao trabalho de TODOS os professores e professoras, porque a mente de um escritor ficcional é uma conjunção de fatos e conhecimentos, realidades e sensações. A construção da minha literatura não é um evento recente. Ela veio das aulas de geografia, de história, de língua portuguesa, de filosofia, sociologia e matemática. Faço aqui um agradecimento público aos meus professores e professoras — desde a Creche Tia Chica até a pós-graduação na Descomplica, passando pelo curso do SENAI. Cada um de vocês depositou um grão de areia nos cenários sertanejos que crio nos meus livros e nas histórias que continuam emocionando os leitores.
Muito obrigado!