Para começar, vou dar uma carteirada: nasci numa segunda-feira, portanto, tenho todo o direito de criticá-la. Acredito que a maioria dos brasileiros preserva essa ojeriza ao primeiro dia útil da semana. É dia de retornar ao trabalho, retomar os projetos, dedicar o pensamento às atividades para ganhar o pão de cada dia. Perto da segunda, todos os dias se tornam agradáveis, com graduações do dia mais chato para o melhor dos melhores.
Segunda-feira é um dia tão antipático que nos preparamos para recebê-lo no domingo. As pessoas mais comedidas evitam as festanças, as bebidas e os exageros. No fundo, há um temor de iniciar a semana com ressaca. Então, a segunda que é amarga feito fel se torna uma tragédia. O dissabor de suas horas lentas e maçantes torna a vida mais difícil. E nada se pode fazer, senão aguardar a noite, quando os ventos da terça mudam o padrão de ojeriza para indiferença.
De terça a quinta, os dias são indiferentes. Tenho quase certeza que os trabalhadores comuns não veem esses dias passarem. Entra aí uma análise sociológica superficial: as pessoas mais simples trabalham tanto nesse país que a vida passa muito rápido. O cidadão sai de casa cedo, retorna à noite. Se ele trabalha em uma fábrica, isolado, sem ver a luz do sol, a compreensão de passagem do tempo é deficiente.
A sexta-feira é corretamente marcada pela expressão “Sextou!”. É quando grande parte dos cidadãos se prepara para o final de semana. É dia de tomar uma cerveja, fazer uma análise sobre a semana que passou, preparar uma comida diferente, assistir um bom filme, sair para ver os amigos e parentes. A sexta-feira é um grande dia, pois abre caminho para o sábado, o melhor dia da semana.
Este blogueiro poderia escrever uma ode ao sábado. É um dia diferente, emocionante e agradável. Essas são as minhas impressões. Quando era mais jovem, uma das músicas que mais gostava era “Sábado à noite”, de Cidade Negra. O sábado é um gigante. O domingo é dia de agito, mas que deveria ser atravessado com parcimônia. Logo ali, a segunda nos espreita.