O caminho é a leitura

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil – 6ª edição (2025), há um cenário preocupante para a leitura no país. Os dados revelam que, pela primeira vez, temos mais não leitores do que leitores. Apenas 20% da população afirma usar o tempo livre para ler. Esse número é alarmante — e, como escritor, sinto a necessidade de falar sobre isso com você que me acompanha. Ler não é apenas um ato solitário; é uma forma de existir com mais profundidade, de enxergar o mundo por outros olhos.

A pesquisa mostra que os principais motivos para o desinteresse pela leitura estão na falta de incentivo na infância, na dificuldade de compreensão dos textos, no alto preço dos livros e na concorrência das telas. Esses fatores, somados, criam um ambiente em que o livro perde espaço na rotina das pessoas. Mas eu acredito que ainda há tempo para reverter esse quadro. A leitura precisa ser apresentada não como uma obrigação, mas como um prazer — um gesto de liberdade e descoberta.

Quando escrevo meus livros, penso justamente nisso: em como provocar o leitor a sentir algo verdadeiro. Obras como Cartas Sertanejas, Contos do Sisal e Clarice sob o Sol nasceram do desejo de contar histórias que tocassem o coração das pessoas, que despertassem memórias e afetos. Cada história é uma tentativa de lembrar ao leitor que a literatura é um modo muito peculiar de mergulho em outra realidade.

Vejo a leitura como um encontro. Quando alguém abre um dos meus livros, não está apenas lendo um texto — está dialogando comigo, com os meus personagens e com a própria experiência de vida. É esse tipo de encontro que precisamos multiplicar. Se cada leitor apresentar um livro a outra pessoa, criando pontes de leitura, poderemos mudar lentamente o cenário de desinteresse que os números mostram.

É verdade que as telas competem com o papel, mas também é verdade que elas podem ser nossas aliadas. Muitos conhecem minhas histórias por meio das redes sociais, onde compartilho trechos, bastidores e reflexões. O importante é fazer com que o livro chegue às pessoas — seja impresso, seja digital. Aliás, a própria pesquisa mostra que 30% dos leitores consomem tanto livros físicos quanto digitais, e que o e-book é o formato preferido por 78% deles. Isso mostra que há espaço para todos os modos de ler.

O hábito da leitura precisa ser cultivado como quem cuida de um jardim. É preciso tempo, constância e curiosidade. Quando uma criança vê um adulto lendo, ela entende que o livro tem valor. Quando um jovem descobre um autor que fala da sua realidade, ele percebe que a leitura também o representa. É por isso que escrevo sobre o sertão, o amor, a fé e as contradições humanas: porque acredito que a literatura deve nascer do chão em que vivemos.

Escrever, para mim, é uma forma de retribuir o que a leitura me deu. Se os meus livros conseguirem inspirar uma pessoa a abrir outro livro, a ler um poema, a se emocionar com uma história, então já terei cumprido o meu papel. Ler é resistir ao esquecimento. É permanecer curioso. É continuar humano. Por isso, convido você — leitor e companheiro de jornada — a não deixar o livro se calar. Porque quando lemos, fazemos o mundo falar de novo.

0 comentários
0 likes
Post anterior: Bigode e o Triângulo das BermudasPróximo post: Papa Francisco e a crise de representatividade

Você vai gostar de ler

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre mim

Oi, meu nome é Mailson Ramos. Sou autor de 20 livros de ficção, com temática sertaneja. Saiba mais!

Últimos posts
Categorias