A peça de teatro O Dinheiro É Meu! mergulha nas complexidades da ambição familiar e nas consequências corrosivas da ganância. A obra se concentra na figura de João Lourenço, um empresário que acumulou uma fortuna ao longo da vida e, em sua velhice, torna-se o centro de uma disputa cruel por poder e bens materiais.
O conflito central é desencadeado quando os quatro filhos de João Lourenço—Antônio, Rita, Evandro e Benedito — passam a pressionar o pai para que ele delegue mais poder e descentralize as decisões de suas empresas. Diante da resistência do patriarca em abrir mão do controle, os herdeiros chegam a planejar a sua interdição, revelando um profundo desprezo pelo bem-estar do pai em detrimento do desejo de riqueza.
A situação atinge um ponto de tensão dramática quando João Lourenço se envolve com Roberta Clementino, uma mulher mais jovem, e, num ato de desafio e paixão, concede a ela todos os poderes decisórios sobre as empresas e a sua fortuna. Esta decisão inesperada funciona como um catalisador que expõe a verdadeira face dos filhos, que reagem de maneira autoritária e violenta à ameaça de perder o controle do patrimônio.
A peça utiliza o drama familiar como um espelho para discutir temas mais amplos, como preconceito, falso moralismo e o reacionarismo social. A trama transcende a simples briga por herança, transformando-se em uma análise da degradação moral sob a influência do dinheiro.
“O Dinheiro É Meu!” é, portanto, mais do que uma narrativa sobre cobiça; é uma discussão profunda sobre a finitude da vida e a forma como o poder pode distorcer as relações mais íntimas. A obra convida o espectador ou leitor a refletir sobre a diferença entre o valor sentimental e o valor material, e o que realmente resta de uma vida quando a única coisa em jogo é a fortuna acumulada.
A premissa da peça levanta questionamentos essenciais: Quem, de fato, tem o direito sobre o dinheiro? Mailson Ramos constrói um enredo em que as questões de vida, morte, e a busca incessante por poder se entrelaçam, deixando um final em aberto que obriga o público a confrontar suas próprias noções de justiça e moralidade.