No centro de O Amor de um Cangaceiro está Eurico Cantagalo, um homem que perde a mulher muito jovem e, tomado pelo luto e pela dor, passa a cultivar visões e alucinações sobre reencontrá-la. Sua jornada não é apenas física, mas emocional — marcada pelas lembranças, pela saudade e pelas esperanças de um encontro que talvez ultrapasse o real.
Eurico decide se lançar numa empreitada quase mítica: veste-se de cangaceiro, monta em seu cavalo e deixa a cidade de Riacho Seco, na Bahia, rumo ao desconhecido. Ele é acompanhado pelo irmão Jorge e pelo amigo Bino — dois que se comprometem a seguir sua trilha, atravessando sertões, descobrindo pessoas e situações inusitadas ao longo do caminho.
O pano de fundo dessa aventura é o sertão nordestino, com todas suas paisagens, dificuldades, mitos e histórias. A ambientação reforça o clima de odisseia: o homem que parte, o solo árido, os vultos do passado, a memória da mulher que se foi — tudo se funde numa narrativa que mistura o real e o simbólico.
Uma das tensões da obra reside em saber o que Eurico vai encontrar ao alcançar seu destino — se encontrará a mulher, se encontrará a redenção ou apenas mais ausência. A expectativa paira, tanto para o personagem quanto para o leitor, e o romance assume uma cadência de espera, de tramoias internas e externas.
Além da ação e da jornada, o livro investe nos afetos: na perda, na fidelidade, na dor que persiste e na busca de significado. Eurico não é apenas o cangaceiro que parte, mas o homem que carrega amor, culpa e memória — e que precisa conviver com o que resta do passado.
Em resumo, O Amor de um Cangaceiro é uma obra de pouca extensão (menos de cem páginas), mas de grande intensidade. Ela propõe ao leitor refletir sobre suor e solidão do sertão, sobre o que amamos e perdemos, e sobre o quanto a viagem — física ou emocional — pode revelar de nós mesmos.