O primeiro livro em uma caderneta

Minhas caras e meus caros…

A construção de um livro poderia ser representada, em essência, com o ponto final de sua narrativa. Entretanto, aquele conjunto de textos precisa ser revisado, diagramado, envolvido por uma capa e, somente então, comercializado. Muitos anos se passaram até que eu pudesse entender as técnicas e dinâmicas para produzir os meus próprios livros. Até me tornar um publisher, reunindo as caracteríticas de escritor, revisor, editor, diagramador e capista, enfrentei muitas dificuldades. A primeira delas foi por volta de 1998, quando escrevi o primeiro livro.

De uma simples caderneta de 96 folhas, aquilo que convencionamos chamar de caderninho, surgiu “A Cidade do Amor”. Escrito a mão, com um número de pelo menos oitenta páginas — muitas eram descartadas por conta dos borrões de caneta —, este romance contava a história de um casal que se encontrava além da vida, após a morte. Entretanto, Celina, a personagem principal, por sua bondade, atravessava um umbral e entrava na Cidade do Amor, enquanto Álvaro, seu par romântico, permanecia fora. Um drama romântico, com forte teor espiritualista.

Cobri a capa da caderneta com um desenho feito em papel offset e apresentei o livro a muitas pessoas. Talvez, muitas delas tenham achado a história ruim, outras se certificaram de que não dava para ler nada, pois minha letra tinha a anatomia de um emaranhado de arames. O primeiro livro “editado” permaneceu durante muito tempo na gaveta até desaparecer. Escrevi muitos outros, seguindo o mesmo molde. Um falava sobre a história de uma sereia que acabava apaixonando-se por um homem na beira da praia. Mais tarde, em Cantilenas, repeti a narrativa em “Ayana”.

Como o gosto pela escrita aumentava, passei a escrever em cadernos maiores, de doze matérias. O mais notável, cuja lembrança ainda é muito clara, foi o livro “Reminiscências de Doris Alcântara”, que narra a história de uma portuguesa audaciosa. Ela vivia no Brasil imperial e acreditava que poderia dissolver o império, derrubar D. Pedro I e se tornar imperatriz do Brasil. Também acabei perdendo essa relíquia. Porém, o que ficou foi a experiência. E ela apenas aumentou com o tempo.

O tempo é como um professor paciente, ele nos ensina sem a exigência das horas. Conforme avançava a tecnologia e o aperfeiçoamento das técnicas editoriais, tornei-me senhor de minhas próprias produções. Não mais escrevendo à mão em um caderninho, mas digitando em um computador, onde também crio as capas. Sou muito orgulhoso de todos os 20 trabalhos até aqui. Deus queira que eu continue escrevendo por muitos e muitos anos, pois esta é a minha razão de viver.

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Sobre mim

Oi, meu nome é Mailson Ramos. Sou autor de 20 livros de ficção, com temática sertaneja. Saiba mais!

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